Qual o nosso relacionamento com a nossa personalidade depois de “despertar”?
Nesta conversa, Eckhart revela os seus pensamentos sobre o nosso relacionamento com o nosso ego e personalidade.
Questão: Qual é o nosso relacionamento com a nossa personalidade depois de “despertarmos”, ele muda?
Eckhart Tolle: Estritamente falando, antes de despertar, em uma larga medida, você não tem relacionamento com a sua personalidade, você é a sua personalidade. Se pudesse ter um relacionamento com a sua personalidade – que é o ego, com a sua forma de reagir e pensar, e emoções – quem tem um relacionamento com a personalidade? O que isso significa é que você está a observá-la.
Existe uma consciência observadora, e se existe uma consciência observadora, então você pode ter um relacionamento com a sua personalidade. O que isso realmente significa é que você pode estar como uma presença observadora quando o seu ego estiver a fazer alguma coisa tola. E você pode rir-se de si mesmo, talvez no momento, talvez depois.
Se você estiver totalmente sobre o domínio da sua personalidade, então é claro que não existe relacionamento, porque você tornou-se na personalidade. Você é tão uno com todos os seus padrões de reacção e com todo o seu pensamento condicionado, que você nem sabe que existe mais alguma coisa em si. Você é isso.
Assim que desperta espiritualmente, a consciência, que não tem nada a ver com a sua personalidade, aumenta, e o poder da personalidade, com as os padrões condicionados, diminui. Gradualmente, a personalidade deixa de ser opaca, é transparente à luz da consciência. Perde a sua solidez. Por isso é que você repara que nas pessoas despertas, ou pessoas que estão a despertar, há mais leveza para eles. Se apenas existir personalidade, então existe peso, um peso psíquico em si. Tudo é terrivelmente sério, e [você é] defensivo, sempre a querer algo, ou a defender-se de alguém.
Quando se relaciona com alguém onde não existe consciência da consciência, você sente-se um pouco desconfortável, porque essa pessoa está em completo sofrimento. Em última instância, todas as personalidades estão em sofrimento. Elas podem fingir que são muito confiantes, mas por baixo do papel de “confiança”, existe sempre uma pessoa que se sente em sofrimento. Eles precisam provar algo, ou querem algo de si. Essa é a personalidade. Assim que desperta, essa parte torna-se muito menos opaca e torna-se mais leve. Existe mais da consciência que brilha através da pessoa.
O ego é a completa identificação com o seu pensamento e as suas emoções. Quando está inconsciente, personalidade e ego são uma única coisa. Assim que desperta, torna-se mais consciente dos seus padrões, que podem, em certa medida, continuar a operar. Eu estou a escolher definir personalidade como algo que você pode estar consciente de. Era o ego antes, mas você pode estar consciente disso enquanto os padrões ainda continuam a operar em si. Se não existir consciência, e você for isso, então é totalmente ego. Assim que se torna consciente do ego, o ego torna-se a sua personalidade, e então você pode ter um relacionamento com a sua personalidade, no sentido que você pode ser o observador.
Se você tem um relacionamento difícil com a sua personalidade, isso é ilusão. Então a sua personalidade dividiu-se em duas, uma parte está a ter um relacionamento com a outra, uma parte diz “Tu devias ser melhor, porquê que não podes ser mais consciente?”. Isto significa que não existe uma presença observadora aqui. Uma parte da personalidade está a discutir com a outra. A consciência observadora não julga. Você não se julga de forma alguma, apenas vê comportamentos. Não existe bom ou mau, apenas é. A necessidade de ter razão, por exemplo, é algo muito comum no ego. Se é uma necessidade profunda, então você não pode estar errado numa discussão. Existe uma compulsão para se defender a si mesmo. Então, de repente, você consegue ver-se. Em última análise, ter um relacionamento com a sua personalidade implica que existe uma presença observadora.
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