Carta ao Pai Natal
A Porta do Paraíso Esquecido
Pai Natal
A Esperança… que nunca se apaga
Através dos tempos a humanidade
Tem procurado dar forma à doce mentira
De uma ilusão disfarçada de magia,
Sonhando…
E dando largas a uma esperança secreta
De um dia poder tornar-te verdadeiro
E, assim, realizar o sonho do encanto
Que a sua criança inocente ainda alimenta.
Apesar das vicissitudes…
E dos limites aceites na nossa mentalidade comum
A herança de Paz e Liberdade
Que vive em cada ser humano
Não morreu…
E continua avidamente a pulsar
No Ser profundo de cada um.
Durante séculos tens simbolizado
O testemunho desse anseio…
A esperança viva de que, na Terra,
Os seres humanos não estão
Para sempre perdidos e esquecidos de si mesmos…
À toa num Universo distante e desconhecido.
Os homens e as mulheres, as crianças
Os idosos e os jovens
Os doentes e os amargurados
Todos alimentam a doce expectativa de que
Um dia…
Deixes de ser, apenas, uma fantasia na sua vida!
A criança que vive em cada um de nós, Pai Natal
Continua a viver a nostalgia
De uma história encantada
Que todos desejamos
Que se torne uma realidade…
Tu representas o sonho perdido
Mas não totalmente esquecido
Qual chama acesa nos confins da ilusão
Que não deixa desaparecer a memória
Do Paraíso que outrora foi nosso.
E assim, disfarçados de fantasia,
Continuamos à espera do Momento revelador
Que acorde em nós a lembrança
De Quem realmente somos!
Será esse sonho esquecido que nos faz viver…
Que nos faz crescer e lutar por um dia melhor,
Por uma hora de majestade e glória,
Um instante de plenitude total,
Um segundo, que seja,
Por uma Paz que ultrapasse
Os limites do próximo engano ou ilusão
E se estenda ao infinito da nossa própria vida?
Por detrás da devastadora insanidade
Desta forma de viver que a esmaga…
Lá no fundo…
Toda a humanidade, se interroga, a cada instante,
Consciente ou inconscientemente,
Sobre quem é e o que faz aqui.
Todos nos recusamos a aceitar
A pequenez e a limitação
Das experiências que temos vivido,
Lutando… a cada instante,
Pela dignidade e magnificência perdida.
Por detrás das aparências há uma lembrança …
Dentro de cada ser há uma força que o anima,
Com a qual ele cria e se expressa
Ele Ama e reclama Amor.
Dentro de cada um de nós há uma memória escondida
Que nos fala baixinho e secretamente
Sobre aquele Ser brilhante e amoroso
Poderoso e magnânimo
Que descansa dentro de cada coração
Nos momentos de solidão
Em que a vida parece ter parado…
Nos momentos em que a dor
Parece, teimosamente, alojar-se no nosso peito aflito…
O desejo de acordar para uma outra realidade irrompe
Por entre as dores e as vagas da confusão…
Naquele momento único em que o silêncio
De um fim de tarde ou de uma noite estrelada,
Ou de um amanhecer misterioso e deslumbrante
Nos toca a alma…
Surge uma nostalgia escondida que insiste e permanece.
Sentimos o Acordar de uma canção esquecida
De uma glória perdida, de um paraíso longínquo…
Há uma sensação que nos enche de um não sei quê
Um saber de algo que não se revela abertamente
Uma teimosa sensação de não ser isto
Tudo o que há para vivermos
Não ser esta a única possibilidade
De criar, amar e manifestar.
Tu és, Pai Natal, o símbolo de uma lembrança
Que nos recorda
Que a Vida se estende ao infinito,
Que a nossa dimensão não termina
Nas teias de limites impostos e aceites
Que a Vida é, em si mesma
Todo-poderosa, envolvente e eterna.
Contigo a humanidade mantém viva
A força que a faz acordar a cada dia
E achar que vale a pena mudar e transformar
Criar e maravilhar o nosso Ser.
Contigo, nascemos de novo a cada ano,
Começamos novas promessas e novas esperanças
De um dia melhor, um ano mais próspero
Uma herança mais harmoniosa, uma colheita mais abundante
Um crescimento mais estável e duradouro
Um realizar mais produtivo e feliz.
Canta às crianças de todo o mundo a canção esquecida…
Dá-nos a tua mão, Pai Natal.
Inspira as crianças de todo o mundo
E diz-lhes que vale a pena sonhar e amar.
Conta-lhes histórias de embalar
E ampara aos seus corações confusos e inquietos.
Acorda nelas a fé, acende a chama do seu entusiasmo
Destapa, no seu âmago, a Força que lhes pertence
E coloca na sua alma a alegria e a confiança
Que as leve a ir mais longe, na sua caminhada…
Que elas não mais oiçam aqueles que os mantêm presos
Às limitações e dúvidas constantes!
Lembra-lhes, Pai Natal
Lembra-lhes que o amanhã a elas pertence
E que a Vida floresce todos os dias
Renovada com o testemunho e a presença
Da sua inocência e esperança.
Que a guerra e a cobiça, a ambição e a violência
Não fazem parte da Vida que lhes deu o sopro que as anima.
Canta às crianças de todo o mundo a canção esquecida
Do tempo em que eram anjos
E povoavam de glória os céus abertos do universo.
Lembra às suas mentes que essa glória ainda é sua
E que vem com elas a este planeta
Para lançar sobre a escuridão do medo, o seu brilho
Ofuscando-a e derretendo-a perante sua força e majestade.
Traz-lhes as estrelas do céu
Para que recordem a beleza que as criou
A força que herdaram e a sabedoria
Que se aninha nas suas mentes e corações.
Dá-nos a tua mão Pai Natal
Reúne os homens e as mulheres deste planeta
Limpa as lágrimas que escorrem pelos seus rostos
Alivia as dores que gemem em seus corpos e mentes
Aquece o coração do desespero de vidas sem amor e sem esperança.
Lembra-nos, Pai Natal
Que só acordaremos para o Ser que somos,
Quando entre todos não houver senão harmonia.
Lembra aos que são inteligentes
Que sem a inteligência dos outros, a sua está incompleta
Sem a alegria dos outros a sua será efémera
Sem o poder dos outros, o seu fica enfraquecido
Sem a abundância dos outros, a sua depressa secará.
Lembra aos adultos que sem as crianças
O mundo que criamos hoje, é estéril e doente.
Sem a semente que produz frutos duradouros
Somos pobres e vazios.
Pai Natal cura as feridas desta louca ilusão colectiva
Cura as chagas desta humanidade
Que perdeu a consciência de si mesma.
Não reconhece o Poder
Que lhe foi dado pela própria Criação.
Lembra os homens e mulheres deste Planeta
Que há muito mais em si
Do que julgam ser possível.
Recorda-lhes que ninguém é vítima do mundo que vê
Que cada um é co-criador da visão interior desse mundo.
Que o Poder está em si,
Não na pequenez e no medo,
Mas na Liberdade de uma mente livre e solta!
Visita os doentes deste mundo
Lembra-os do direito que têm de ser felizes e saudáveis.
É seu direito invocar o próprio Poder de cura
E reivindicar a sua libertação.
Toca cada um, Pai Natal, com a tua mão gloriosa
E devolve a cada um deles a verdadeira visão de si próprios.
Desperta os adormecidos que vivem sonhando
Vivendo alienações desatinadas,
Mergulhando em orgias mentais de violência e ataque
Que a sua Vida ficou esquecida…
E espera por eles para ser reabilitada.
Pousa a tua mão sobre eles, Pai Natal
E ilumina a escuridão dos falsos castelos e muralhas de ódio
Que erguem a cada momento
Para se protegerem do insuportável medo
Que sentem de si mesmos.
Trás contigo, Pai Natal
Um coração de Amor pleno e total
Um manto de infinita tolerância e esperança
Uma coroa de Poder absoluto e infinito
Um Ceptro de Harmonia e Paz
Que irradie as verdadeiras e puras emanações
Do berço onde nasce a Vida.
Reúne os seres da Terra
Torna-os Um,
Qual oceano que reúne, em si
Todas as suas gotas
E, acorda, finalmente, o Filho da Criação
Reinante dos Céus e da Terra
Co-Criador dos Universos sem fim.
Manda que os anjos toquem as trombetas universais
E saúdem, finalmente
O regresso a casa deste filho pródigo
Da Criação Universal.
Aleluia, Aleluia, Pai Natal.
Obrigado por viveres em nós
Obrigado por teres mantido
Em cada ser humano
Através dos milénios
A porta aberta do Paraíso esquecido.
Graças a Ti podemos
Hoje
Lembrar quem somos
E voltar a Casa.










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